Saúde

Algarve já está na zona vermelha na matriz de risco, com pior R(t) e taxa de incidência

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Lusa

03-04-2021

O índice de transmissibilidade (Rt) da covid-19 tem vindo a aumentar desde meados de fevereiro, sendo mais elevado na região do Algarve, onde está em 1,19, revela o primeiro relatório de monitorização das 'linhas vermelhas' divulgado este sábado

A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) disponibilizam hoje o primeiro relatório de monitorização das 'linhas vermelhas' para a covid-19, que passará a ser publicado semanalmente às sextas-feiras.

“No continente, a região onde se observou o valor mais elevado do Rt foi a do Algarve (1,19), enquanto o valor mais baixo foi observado na região Centro (0,88). Tanto a nível nacional como a nível das regiões de saúde do continente tem-se observado um aumento paulatino do valor do Rt desde meados do mês de fevereiro, sendo mais notório na região do Algarve”, precisa o documento.

A DGS e o INSA indicam que o Rt a nível nacional se situa nos 0,97 e que o número de novos casos de infeção por SARS-CoV-2 por 100 000 habitantes tem vindo a diminuir no país, exceto no Algarve.

O relatório refere também que, no período entre 18 e 31 de março, a incidência cumulativa a 14 dias foi de 65,9 casos por 100 000 habitantes, com uma tendência estável.

Nesse período, o grupo etário que apresentou maior incidência correspondeu ao grupo dos 20 aos 29 anos (93 casos por 100 000 habitantes), refere o documento.

Por sua vez, o grupo com mais de 80 anos apresentou uma incidência cumulativa a 14 dias de 51 casos de infeção por SARS-CoV-2 por 100 000 habitantes, o que reflete um risco inferior ao da população em geral, indica.

A DGS e o INSA estimam que 70,6% dos casos de infeção por SARS-CoV-2 no continente estejam associados à variante do Reino Unido, sendo nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (76%) e Algarve (95%) onde apareceram em maior número.

Até 28 de março de 2021, foram diagnosticados 50 casos da variante associada à África do Sul e a maioria foi identificada nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (54%) e do Norte (36%), existindo “a possibilidade de transmissão comunitária, ainda que de muito baixa expressão”, uma vez que, após a investigação epidemiológica, não foi possível estabelecer o contexto de transmissão de alguns casos.

Em relação à variante associada ao Brasil, foram diagnosticados, até 28 de março, 22 casos, metade dos quais em residentes na região de Lisboa e Vale do Tejo, não havendo neste caso "evidência (prova) de transmissão comunitária sustentada em Portugal”.

Segundo o documento, o maior número de casos de covid-19 internados em UCI correspondeu ao grupo etário dos 70 aos 79 anos.

A proporção de testes positivos para SARS-CoV-2, entre 25 a 31 de março, foi de 2%, “valor que se encontra abaixo do limiar dos 4%, e o total de testes realizados nos últimos sete dias foi de 152.695.

A DGS e o INSA indicam também que “a proporção de casos confirmados notificados com atraso mantém uma tendência decrescente”.

Nos últimos sete dias, todos os casos foram isolados em menos de 24 horas após a notificação e foram rastreados e isolados 91,5% dos seus contactos.

“A análise global dos diversos indicadores sugere uma situação epidemiológica controlada, ou seja, transmissão comunitária de moderada intensidade e de reduzida pressão nos serviços de saúde nas próximas semanas. Deve, no entanto, atentar-se ao aumento da transmissibilidade numa das regiões do continente”, salientam a DGS e o INSA, concluindo que “o atual período pascal e o início do desconfinamento são fatores que podem interferir nesta situação, com reflexos que demorarão algumas semanas a ser visíveis”.

As duas entidades referem que a monitorização dos indicadores divulgados no relatório “é fundamental para o acompanhamento da evolução” da epidemia em Portugal e para dotar “as autoridades de saúde e o público de informação que permita implementar medidas que contribuam para o seu controlo”.

Desde março de 2020 que 823.142 pessoas foram contagiadas com o novo coronavírus e 16.875 morreram com covid-19, segundo os dados mais recentes da DGS.


Monitorização das linhas vermelhas para a Covid-19


Resumo

♦ O número de novos casos de infeção por SARS-CoV-2/ COVID-19 por 100.000 habitantes tem vindo a diminuir, tanto a nível nacional como nas várias regiões de saúde do continente, exceto na região do Algarve.

♦ O índice de transmissibilidade, Rt, apresenta valores inferiores a 1, tanto a nível nacional (0,97) como nas várias regiões de saúde do continente, com exceção da região do Algarve (1,19). Refira-se que se observa o aumento do valor do Rt desde 10 de fevereiro de 2021, com especial relevo na região do Algarve.

♦ O número diário de casos de COVID-19 internados em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) no Continente tem apresentado uma tendência decrescente. A 31 de março de 2021, o número de casos de COVID-19 internados em UCI foi de 129, valor inferior ao valor crítico definido (245 camas ocupadas).

♦ A nível nacional, a proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 foi de 2,0% (25 a 31 de março), valor que se mantém abaixo do objetivo definido de 4%, sendo que o total de testes realizados nos últimos 7 dias foi de 152 695.

♦ A proporção de casos confirmados notificados com atraso mantém uma tendência decrescente.

♦ Nos últimos 7 dias, todos os casos de infeção por SARS-CoV-2/ COVID-19 foram isolados em menos de 24 horas após a notificação, e foram rastreados e isolados 91,5% dos seus contactos.

♦ Estima-se que a variante B.1.1.7 (associada ao Reino Unido) represente atualmente 70,6% (IC95% 66,4% a 74,6%) dos casos de infeção por SARS-CoV-2/ COVID-19 no continente. Foram diagnosticados 50 casos da variante B.1.351 (associada à África do Sul). Após inquérito epidemiológico não foi possível estabelecer o contexto de transmissão de alguns casos (link epidemiológico), o que sugere a possibilidade de transmissão comunitária, ainda que de muito baixa expressão.

♦ A análise global dos diversos indicadores sugere uma situação epidemiológica controlada, ou seja, transmissão comunitária de moderada intensidade e de reduzida pressão nos serviços de saúde nas próximas semanas. Deve, no entanto, atentar-se ao aumento da transmissibilidade numa das regiões do continente. O atual período pascal e o início do desconfinamento são fatores que podem interferir nesta situação, com reflexos que demorarão algumas semanas a ser visíveis.

FICHA TÉCNICA

[Análise de Risco] Monitorização das linhas vermelhas para a COVID-19 Relatório n.o 1
Lisboa: abril, 2021

AUTORES

DGS

André Peralta Santos Pedro Pinto Leite Pedro Casaca
Joana Moreno

INSA

Carlos Matias Dias Ana Paula Rodrigues Baltazar Nunes Susana Silva

Liliana Antunes

- NOTÍCIA EM DESENVOLVIMENTO -